Expectativa

junho 21, 2008

Ah, também conhecemos o Ovelha Negra, o bar mais hypado entre os brasileiros que vivem/viveram em Barcelona. Atrolhado e com cerveja quente. Valeu só por essa foto aí da Gabi!

gabi no ovelha negra


Ogrices

junho 21, 2008

Agora, o que realmente interessa a nós glutões: a comilança.
Barcelona tem um monte de restaurantes ruins, aguardando turistas apressados. Os bons são bem caros, o que ainda nos assustava um pouco no começo da viagem (a coisa desandou na França, vocês verão a seguir). O negócio é mesmo se empanturrar de tapas ou arriscar a sorte num menu do dia.
As chances de acertar são bem melhores do que na Timemania, mas a Gabi se traumatizou ao errar três paellas na seqüência.
Eu vou lembrar por muito tempo de um frugal rolinho de presunto e queijo empanado, coberto com um molhinho vermelho (do tipo Pomarolla mesmo) e requeijão. Simples, mas deu conta do recado.

rolinho de presunto e queijo

Mas, depois de muito pesquisar, descobri um sushi bem recomendado, freqüentado mais por nativos do que por turistas. Visitei o site, achei simpático e pensei: “Bah, vai ser o melhor sushi do mundo. Com toda essa fartura de frutos do mar, vamos nos dar tri bem”.
Fica numa ruazinha estreita, afastada do movimento. Não havia nada por perto. Só o restaurante e um monte de gente do lado de fora, esperando uma mesa. Ficamos na lista por mais de uma hora. Mas a comida foi tri sem graça.
Traumatizado com o episódio do Bar Sur, em Buenos Aires, quando fomos enrolados, logrados, xingados e expulsos por uma garçonete, achei que iam nos aprontar uma. A garçonete ficou rindo da gente quando foi falar com um cozinheiro e não abriu a garrafa de vinho na nossa frente. Temi pelo pior, mas não.
Saiu tudo direitinho no serviço.
Só que o sushiman deles não pega nem de auxiliar em Porto Alegre. E não tô falando do Takêdo, pode ser do Riversides mesmo… Porra, ele tinha peixes espetaculares à disposição, mas não acertou no arroz! Uma pena.
Nesse dia, deu na trave.
No dia seguinte (ou teria sido no anterior?), em compensação, o bicho pegou no Sükur.

Apesar do nome de atacante tosco da Turquia, o restaurante Sükur é especializado em culinária mediterrânea. A salada já foi fotograda, é só pesquisar antes no blog. Eu comi um ravióli recheado com ricota e espinafre e um molho muito do fiadaputa, enquanto a Gabi foi num risoto de alguma coisa. O meu prato estava melhor, na opinião da Gabi. Concordo com ela.

rango bom no sukur

No entanto, vejam bem, o ponto de desequilíbrio foi o glorioso Domínio del Cuco, melhor dos vinhos espanhóis que tomei na viagem. Na real, com exceção de um vinagre que nos serviram em Toledo, adorei todos os vinhos tintos que tomei na Espanha. Virei fã dos Rioja, Ribera del Duero, etc.


Oswaldo Rambla

junho 21, 2008

O tráfico corre solto na noite de Barcelona. É impressionante. Parecia a Oswaldo das antigas. Caminhávamos meia quadra e alguém chegava em mim, oferecendo, na cara dura:
- Coca? Coke? Haxixe?
- No, gracias.

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Uma dica: quem tiver cara de traficante, é traficante. Na pior das hipóteses, é polícia armando flagrante. Não tem erro.


Hotel e tempo

junho 21, 2008

O Aparthotel Calábria foi o melhor da viagem. Era bem simples, antigão, mas nosso quarto era gigante, com sacada e tudo mais. Nem vou reclamar da TV 14 polegadas modelo vigia noturno. Tem tanta coisa para ver e fazer em Barcelona que só ligava para ver a previsão do tempo.
Por sinal, fiquei com uma dúvida: ou teve gente perdendo o emprego na TV catalã ou eu não entendo lhufas do que aqueles mapinhas indicavam. O carinha ficava 15 minutos dizendo que ia chover (lá, a previsão na TV é ridiculamente minuciosa e demorada) e abria um solaço. No outro dia, a mulher anunciava sol, caía um temporal. Não acertaram uma.


Desculpas furadas

junho 21, 2008

Claro que, em menos de uma semana, é impossível desbravar uma cidade inteira. Não dá. Ainda mais um lugar tão especial como Barcelona. Em cada praça, em cada rua, há um detalhezinho surpreendente, uma escultura, um bar legal. Duvida? Olha só, então.

uma rua comum
outra rua comum

Mas eu e a Gabi nos esforçamos. Do kit básico “primeira vez na cidade”, só faltou o Montjüic, apesar de todas as boas referências do Ruy e da Lu.
A culpa foi daquela minha cagada no primeiro dia, quando comprei a passagem de trem para a França um dia antes do previsto. Teria dado pra ver tudo. Azar. É um bom motivo pra voltar um dia.

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Outro motivo para voltar, claro, é encher a cara de Freixenet. É bem simples. Basta ir a um supermercado, entregar três moedas e sair com uma garrafa debaixo do braço. Uma barbada.
Pena que só compramos – e tomamos – uma na viagem toda.
Outra coisa legal de Barcelona: o salmão defumado é mais barato do que o presunto. Como a minha companheira de viagem gosta pouco de salmão, todo dia tinha salmão com pão, salmão com queijo, salmão com água, salmão com kit kat ou salmão com salmão.
Se os estudos sobre o ômega 3 estiverem certos, estamos livres do Alzheimer por uns 40 anos.


Imaginação de sobra

junho 21, 2008

Este post deveria ser escrito pela Gabi, mas ela é muito preguiçosa e desistiu do blog. Vou tocar em um assunto bastante sensível a ela: Gaudí. Sim, o gênio da arquitetura, o supermestre das construções cheias de curvas e inspiradas e em detalhes de bichinhos e coisinhas da natureza. Ele tá em todas, é o responsável pelos principais cartões postais da cidade, é fodidão, todo mundo baba o ovo dele (merecidamente) e tal. Ok.
Mas o que eu aprendi com a Gabi é o seguinte: ele era um crente, morou no Parc Güell e na Sagrada Família e morreu atropelado por um bonde. O resto é bobagem.
Talvez eu pensasse diferente e soubesse mais se tivesse feito como todos os turistas do mundo, que pegam o tal do audioguide, um walkman (ou MP3 para os mais novos…) com informações sobre a vida e a obra do cara na entrada de La Pedrera.
O fato é que eu não me dei conta que era de graça. Achei que precisaria pagar pela geringonça. Era começo de viagem, ainda me preocupava com o preço das coisas e fomos sem o guia. Mesmo assim, deu pra sacar um monte de coisas legais. Foi um baita passeio. Pena que o tempo nublado não ajudou muito na hora de tirar as fotos.

outra da fachadafachadameiãoeu no terraçola pedreramaquete

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A Sagrada Família mereceria um site inteiro à parte. O lugar é muito louco, cheio de detalhes.
Eu e a Gabi ficamos em estado de choque por um tempinho até assimilarmos o que víamos ali na nossa frente.
De onde o cara tirou que precisava ter uma vaquinha ali, uma frutinha aqui, etc? Muita maconha. Só pode.


De qualquer forma, faltou ele cruzar com a Dilma e o PAC no caminho pra terminar a obra. Eu acho que a igreja não vai ficar pronta nunca. Nem precisa.
E o Parc Güell é lindo, mas no DVD do Nego Deja tinha mais sol e menos turistas. Tirar foto com o lagartão da entrada sem figurantes indesejados leva tempo.


Imaginação de menos

junho 21, 2008

Estou me segurando para não fazer o óbvio e cair no lugar comum de comparar Madri com São Paulo e Barcelona com o Rio. Não, não vou fazer isso. Sou mais inteligente do que isso. Sou capaz de escrever algo mais original, de observar as duas cidades sob um ângulo diferente. Sei que vou conseguir.
Ou não.


Depois…

junho 9, 2008

…eu escrevo sobre Barcelona. Eu e a Gabi vamos jantar em um restaurante cheio de adesivos na vitrina. Deve ser bom.


Toledo enfeitada

junho 9, 2008

Acho que estabelecemos um recorde em Toledo. Foi o dia em que mais caminhamos, disparado. E pegamos sol, chuva, vento, frio, calor, tudo com diferença de minutos. A Gabi se gripou a fu.

Foi também a primeira vez em que caímos numa cilada para turistas, ao escolhermos o pior restaurante da cidade. Essa história tá lá no começo do blog, não vou contar de novo.

Fomos a Toledo na véspera de Corpus Christi, e a cidade estava toda enfeitada, cheia de bandeirinhas, etc. Bem legal.

toledo

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Fenadoce
No ramo da comilança, que é a minha parte preferida da viagem, não posso deixar passar os docinhos de Toledo. Encontramos uma confeitaria caríssima, o El Café de La Monja. Ela despertou minha curiosidade por dois motivos: a vitrine era simpática e o lugar era bem limpo. Era, até então, a coisa mais extravagante que havíamos feito na viagem. Pagamos, sei lá, uns 15 euros por um microcafé, um chá e um prato de docinhos .

Mas valeu muito a pena.

doces perfeitos

Que massas!!! Que recheios!!! Que coberturas!!! Oh!!!


Prado

junho 9, 2008

na frente do prado 

Nem me dei conta de que ainda não falei do Museu do Prado. Putz. Muito legal. O bom de não escrever tudo no primeiro dia é poder comparar com o que rola depois na viagem. Claro que o Louvre é maravilhoso, incomparável e esconde o Santo Graal (é isso, né? Não lembro direito do fim do livro…), mas o Prado não fica tão atrás e conta com uma vantagem: a quantidade de chatos por metro quadrado é bem menor.

Descobri coisas geniais lá. A coleção de pintores holandianos é espetacular. Sem colar na Internet não vou lembrar o nome de todos, mas virei fã do Rubens e do Bosch/El Bosco. As pinturas negras do Goya também impressionam. No entanto, o meu preferido é o José de Ribera, mestre na arte de pintar pelancas. As texturas que ele consegue representar nos quadros me deixaram de boca aberta. Uma foto:

ribera 

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Sustinho de nada

O Museu do Prado foi o cenário do primeiro susto da viagem. Na real, um baita cagaço. Depois de mais de duas horas de visitação, uma ida longa e arrojada ao banheiro (não contarei os detalhes aqui, mas antecipo: era o mais sujo do país e me exigiu uma agilidade de faquir) e uma parada para um café fraco (como todos os que tomei na Espanha), olho para a Gabi e pergunto:

- Cadê a mochila?

- Não sei. Não tá contigo? – respondeu a Gabi.

Bah, gelei. Saí correndo pelo Prado. Entramos no elevador e descemos até o térreo. Comecei a cuidar as pessoas, para ver se ninguém carregava a nossa preciosa mochila vermelha, com casacos, mapas, endereços, documentos, moedas e sei lá mais o quê. Refiz mentalmente, de trás para frente, os nossos passos lá dentro. A primeira parada para buscar informações deveria ser o café. Aceleramos o passo. Cheguei lá esbaforido, misturando inglês e portunhol (no melhor estilo Leonardo Oliveira) com a atendente.

- Esqueci minha motchila roja. Here. Usted viu una motchila? Motchila!!! Buelsa!!!

Ela mostrou uma sacola plástica, dessas de supermercado. Não era a minha.

Quando eu ia repetir a palavra “buelsa” mais uma vez, me dei conta de um detalhezinho.

A mochila havia ficado na chapelaria, na entrada do museu. Não é permitido carregar bolsas no Prado.

Agradeci a mulher do café e, aliviado, voltei para o resto da exposição.

 

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Hotel Canivete

O Ganivet era coisa fina. Hotel para negócios, pessoas apressadas, representando suas empresas em algum congresso na cidade. Por isso mesmo, profissional e organizado. Gostei. Mas tinha um resquício de cheiro de cigarro impregnado no quarto.

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Trem

Não lembro direito da viagem de Madri a Barcelona. Sei que foi de trem, saiu na hora, chegou na hora, mas não consigo lembrar nada das poltronas, da comida, da paisagem e das pessoas. Devo ter dormido o tempo todo, mas isso não interessa. O importante é que comprar passagens pela Internet é muito mais rápido – e barato – do que em Atocha, pouco antes de embarcar. Um dia antes, entramos numa baita fila e levamos um tempão para comprar bilhetes até Toledo, que é uma viagenzinha de meia hora.