Toledo enfeitada
Junho 9, 2008Acho que estabelecemos um recorde em Toledo. Foi o dia em que mais caminhamos, disparado. E pegamos sol, chuva, vento, frio, calor, tudo com diferença de minutos. A Gabi se gripou a fu.
Foi também a primeira vez em que caímos numa cilada para turistas, ao escolhermos o pior restaurante da cidade. Essa história tá lá no começo do blog, não vou contar de novo.
Fomos a Toledo na véspera de Corpus Christi, e a cidade estava toda enfeitada, cheia de bandeirinhas, etc. Bem legal.
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Fenadoce
No ramo da comilança, que é a minha parte preferida da viagem, não posso deixar passar os docinhos de Toledo. Encontramos uma confeitaria caríssima, o El Café de La Monja. Ela despertou minha curiosidade por dois motivos: a vitrine era simpática e o lugar era bem limpo. Era, até então, a coisa mais extravagante que havíamos feito na viagem. Pagamos, sei lá, uns 15 euros por um microcafé, um chá e um prato de docinhos .
Mas valeu muito a pena.
Que massas!!! Que recheios!!! Que coberturas!!! Oh!!!
Prado
Junho 9, 2008Nem me dei conta de que ainda não falei do Museu do Prado. Putz. Muito legal. O bom de não escrever tudo no primeiro dia é poder comparar com o que rola depois na viagem. Claro que o Louvre é maravilhoso, incomparável e esconde o Santo Graal (é isso, né? Não lembro direito do fim do livro…), mas o Prado não fica tão atrás e conta com uma vantagem: a quantidade de chatos por metro quadrado é bem menor.
Descobri coisas geniais lá. A coleção de pintores holandianos é espetacular. Sem colar na Internet não vou lembrar o nome de todos, mas virei fã do Rubens e do Bosch/El Bosco. As pinturas negras do Goya também impressionam. No entanto, o meu preferido é o José de Ribera, mestre na arte de pintar pelancas. As texturas que ele consegue representar nos quadros me deixaram de boca aberta. Uma foto:
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Sustinho de nada
O Museu do Prado foi o cenário do primeiro susto da viagem. Na real, um baita cagaço. Depois de mais de duas horas de visitação, uma ida longa e arrojada ao banheiro (não contarei os detalhes aqui, mas antecipo: era o mais sujo do país e me exigiu uma agilidade de faquir) e uma parada para um café fraco (como todos os que tomei na Espanha), olho para a Gabi e pergunto:
- Cadê a mochila?
- Não sei. Não tá contigo? – respondeu a Gabi.
Bah, gelei. Saí correndo pelo Prado. Entramos no elevador e descemos até o térreo. Comecei a cuidar as pessoas, para ver se ninguém carregava a nossa preciosa mochila vermelha, com casacos, mapas, endereços, documentos, moedas e sei lá mais o quê. Refiz mentalmente, de trás para frente, os nossos passos lá dentro. A primeira parada para buscar informações deveria ser o café. Aceleramos o passo. Cheguei lá esbaforido, misturando inglês e portunhol (no melhor estilo Leonardo Oliveira) com a atendente.
- Esqueci minha motchila roja. Here. Usted viu una motchila? Motchila!!! Buelsa!!!
Ela mostrou uma sacola plástica, dessas de supermercado. Não era a minha.
Quando eu ia repetir a palavra “buelsa” mais uma vez, me dei conta de um detalhezinho.
A mochila havia ficado na chapelaria, na entrada do museu. Não é permitido carregar bolsas no Prado.
Agradeci a mulher do café e, aliviado, voltei para o resto da exposição.
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Hotel Canivete
O Ganivet era coisa fina. Hotel para negócios, pessoas apressadas, representando suas empresas em algum congresso na cidade. Por isso mesmo, profissional e organizado. Gostei. Mas tinha um resquício de cheiro de cigarro impregnado no quarto.
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Trem
Não lembro direito da viagem de Madri a Barcelona. Sei que foi de trem, saiu na hora, chegou na hora, mas não consigo lembrar nada das poltronas, da comida, da paisagem e das pessoas. Devo ter dormido o tempo todo, mas isso não interessa. O importante é que comprar passagens pela Internet é muito mais rápido – e barato – do que em Atocha, pouco antes de embarcar. Um dia antes, entramos numa baita fila e levamos um tempão para comprar bilhetes até Toledo, que é uma viagenzinha de meia hora.
Bonitinha, mas ordinária
Junho 9, 2008Madri é uma cidade bem legal, mas candidata a ser a mais sem graça que visitamos. É a minha opinião, pelo menos. A Gabi achou Marselha a pior, e entendo os argumentos dela.
Madri é uma metrópole de primeiro mundo, tem um metrô incrível, museus expressivos, bons parques, praças simpáticas, o time de futebol mais famoso do planeta, restaurantes ótimos e com refeições a preço justo, etc. Tudo legal. Só não fiquei com vontade de voltar.
É o tipo de cidade que deve ser boa para viver e trabalhar, mas não para passar férias. Sem contar que chega a ser covardia a comparação com Barcelona, a nossa parada seguinte.
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Já escrevi antes, mas o melhor mesmo foi o dia no Parque Del Retiro.
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A Gabi e eu fizemos descobertas interessantes em Madri. Como era a nossa primeira escala na Europa, tudo era novidade para a gente. Cada trecho na direção certa no metrô era saudado como uma grande vitória. Por sinal, a Gabi lembra até hoje da gravação do metrô alertando para os perigos de se descer em uma estação em curva.
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Entre as descobertas, duas me chamaram a atenção. Primeiro: a profissão de garçom é muito solitária na Europa, especialmente na Espanha. Eles não têm colegas, é sempre um garçom por turno. Não importa se são dois ou centenas de clientes. No máximo, fica alguém atrás do balcão, servindo cerveja. Foi neste tipo de lugar que eu fiz a segunda observação curiosa. Todos os garçons falam do mesmo jeito. Não importa se o cara tem a voz de taquara rachada do Jaisson Valim. Na hora de falar com o tirador de chope, o cara se transforma no José Aldair, antigo locutor do Correspondente Ipiranga, e grita com um vozeirão grave:
- Dos cañas mas!
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Depois de escrever tudo isso sobre Madri, lembrei de um episódio que pode ter influenciado a minha opinião sobre a cidade. É aquela velha história: “a primeira impressão é a que fica”. Assim que largamos as malas no hotel e saímos para dar uma caminhada, fomos para o lado errado. Ao invés de nos dirigirmos para o centro da cidade, caminhamos em direção à periferia. Quando vimos, estávamos na Sertório de Madri. Na hora da siesta, o que é mais desolador ainda. Tudo fechado, sem carros nas ruas. Achei meio estranho. Vai ver é por isso que não gostei tanto. Sei lá.
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Acho que já falei sobre o lado bom, né? Comparada com Paris, Madri é superbarata. Dá para almoçar na boa por 10 euros, com direito a bebida (água, refri, suco, cerveja ou vinho da casa). Em Paris, por exemplo, eu e a Gabi pagamos 8 euros por uma garrafa d’água em um restaurante meia-boca e 7 euros por um copo de Coca Light sem gás em outro.
Os bolinhos de bacalhau com periquito são inesquecíveis. Procura lá no começo do blog que tem até vídeo da Gabi degustando um.
Por sinal, voltarei para Porto Alegre disposto a me tornar um empresário. Quero abrir uma franquia desse tal de Tapas y Cañas ou do Starbucks. O Starbucks é um caso à parte. Está sempre lotado, mesmo quando há dois ou três no mesmo quarteirão. E o Frapuccino de Dulce de Leche é das melhores coisas que provei na viagem. Tomo um de meio litro todos os dias! A Ana Harb que não apareça aqui no blog.
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Outro bar legal foi o tal de Alhambra (não tenho certeza do nome, mas como a Gabi insiste que é esse, eu não vou brigar por isso…). Fica na Calle Victória, não Mictória, como eu entendi da primeira vez, perto da estação Sol do metrô. É o da foto acima.
A gente fez uma supercombinação de tapas. Coisa inspirada: uma tonelada de salmão defumado, pão tostado com azeite de oliva e um queijinho esperto.
A Gabi me alerta que isso é papo de gordo, que eu devo parar de falar de comida. Ok. O lugar era legal, com um decoração meio rústica, atendimento rápido, poucos turistas e muitos fumantes.
Por sinal, o cigarro é liberado em todos lugares na Espanha. Não sou um ex-fumante chato, pelo contrário, mas às vezes não dava pra agüentar. Ficava difícil de respirar.

Escrito por Gabriel 

Escrito por Gabriel
Escrito por Gabriel 



















