Estou me segurando para não fazer o óbvio e cair no lugar comum de comparar Madri com São Paulo e Barcelona com o Rio. Não, não vou fazer isso. Sou mais inteligente do que isso. Sou capaz de escrever algo mais original, de observar as duas cidades sob um ângulo diferente. Sei que vou conseguir.
Ou não.
Prado
Junho 9, 2008Nem me dei conta de que ainda não falei do Museu do Prado. Putz. Muito legal. O bom de não escrever tudo no primeiro dia é poder comparar com o que rola depois na viagem. Claro que o Louvre é maravilhoso, incomparável e esconde o Santo Graal (é isso, né? Não lembro direito do fim do livro…), mas o Prado não fica tão atrás e conta com uma vantagem: a quantidade de chatos por metro quadrado é bem menor.
Descobri coisas geniais lá. A coleção de pintores holandianos é espetacular. Sem colar na Internet não vou lembrar o nome de todos, mas virei fã do Rubens e do Bosch/El Bosco. As pinturas negras do Goya também impressionam. No entanto, o meu preferido é o José de Ribera, mestre na arte de pintar pelancas. As texturas que ele consegue representar nos quadros me deixaram de boca aberta. Uma foto:
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Sustinho de nada
O Museu do Prado foi o cenário do primeiro susto da viagem. Na real, um baita cagaço. Depois de mais de duas horas de visitação, uma ida longa e arrojada ao banheiro (não contarei os detalhes aqui, mas antecipo: era o mais sujo do país e me exigiu uma agilidade de faquir) e uma parada para um café fraco (como todos os que tomei na Espanha), olho para a Gabi e pergunto:
- Cadê a mochila?
- Não sei. Não tá contigo? – respondeu a Gabi.
Bah, gelei. Saí correndo pelo Prado. Entramos no elevador e descemos até o térreo. Comecei a cuidar as pessoas, para ver se ninguém carregava a nossa preciosa mochila vermelha, com casacos, mapas, endereços, documentos, moedas e sei lá mais o quê. Refiz mentalmente, de trás para frente, os nossos passos lá dentro. A primeira parada para buscar informações deveria ser o café. Aceleramos o passo. Cheguei lá esbaforido, misturando inglês e portunhol (no melhor estilo Leonardo Oliveira) com a atendente.
- Esqueci minha motchila roja. Here. Usted viu una motchila? Motchila!!! Buelsa!!!
Ela mostrou uma sacola plástica, dessas de supermercado. Não era a minha.
Quando eu ia repetir a palavra “buelsa” mais uma vez, me dei conta de um detalhezinho.
A mochila havia ficado na chapelaria, na entrada do museu. Não é permitido carregar bolsas no Prado.
Agradeci a mulher do café e, aliviado, voltei para o resto da exposição.
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Hotel Canivete
O Ganivet era coisa fina. Hotel para negócios, pessoas apressadas, representando suas empresas em algum congresso na cidade. Por isso mesmo, profissional e organizado. Gostei. Mas tinha um resquício de cheiro de cigarro impregnado no quarto.
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Trem
Não lembro direito da viagem de Madri a Barcelona. Sei que foi de trem, saiu na hora, chegou na hora, mas não consigo lembrar nada das poltronas, da comida, da paisagem e das pessoas. Devo ter dormido o tempo todo, mas isso não interessa. O importante é que comprar passagens pela Internet é muito mais rápido – e barato – do que em Atocha, pouco antes de embarcar. Um dia antes, entramos numa baita fila e levamos um tempão para comprar bilhetes até Toledo, que é uma viagenzinha de meia hora.
Bonitinha, mas ordinária
Junho 9, 2008Madri é uma cidade bem legal, mas candidata a ser a mais sem graça que visitamos. É a minha opinião, pelo menos. A Gabi achou Marselha a pior, e entendo os argumentos dela.
Madri é uma metrópole de primeiro mundo, tem um metrô incrível, museus expressivos, bons parques, praças simpáticas, o time de futebol mais famoso do planeta, restaurantes ótimos e com refeições a preço justo, etc. Tudo legal. Só não fiquei com vontade de voltar.
É o tipo de cidade que deve ser boa para viver e trabalhar, mas não para passar férias. Sem contar que chega a ser covardia a comparação com Barcelona, a nossa parada seguinte.
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Já escrevi antes, mas o melhor mesmo foi o dia no Parque Del Retiro.
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A Gabi e eu fizemos descobertas interessantes em Madri. Como era a nossa primeira escala na Europa, tudo era novidade para a gente. Cada trecho na direção certa no metrô era saudado como uma grande vitória. Por sinal, a Gabi lembra até hoje da gravação do metrô alertando para os perigos de se descer em uma estação em curva.
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Entre as descobertas, duas me chamaram a atenção. Primeiro: a profissão de garçom é muito solitária na Europa, especialmente na Espanha. Eles não têm colegas, é sempre um garçom por turno. Não importa se são dois ou centenas de clientes. No máximo, fica alguém atrás do balcão, servindo cerveja. Foi neste tipo de lugar que eu fiz a segunda observação curiosa. Todos os garçons falam do mesmo jeito. Não importa se o cara tem a voz de taquara rachada do Jaisson Valim. Na hora de falar com o tirador de chope, o cara se transforma no José Aldair, antigo locutor do Correspondente Ipiranga, e grita com um vozeirão grave:
- Dos cañas mas!
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Depois de escrever tudo isso sobre Madri, lembrei de um episódio que pode ter influenciado a minha opinião sobre a cidade. É aquela velha história: “a primeira impressão é a que fica”. Assim que largamos as malas no hotel e saímos para dar uma caminhada, fomos para o lado errado. Ao invés de nos dirigirmos para o centro da cidade, caminhamos em direção à periferia. Quando vimos, estávamos na Sertório de Madri. Na hora da siesta, o que é mais desolador ainda. Tudo fechado, sem carros nas ruas. Achei meio estranho. Vai ver é por isso que não gostei tanto. Sei lá.
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Acho que já falei sobre o lado bom, né? Comparada com Paris, Madri é superbarata. Dá para almoçar na boa por 10 euros, com direito a bebida (água, refri, suco, cerveja ou vinho da casa). Em Paris, por exemplo, eu e a Gabi pagamos 8 euros por uma garrafa d’água em um restaurante meia-boca e 7 euros por um copo de Coca Light sem gás em outro.
Os bolinhos de bacalhau com periquito são inesquecíveis. Procura lá no começo do blog que tem até vídeo da Gabi degustando um.
Por sinal, voltarei para Porto Alegre disposto a me tornar um empresário. Quero abrir uma franquia desse tal de Tapas y Cañas ou do Starbucks. O Starbucks é um caso à parte. Está sempre lotado, mesmo quando há dois ou três no mesmo quarteirão. E o Frapuccino de Dulce de Leche é das melhores coisas que provei na viagem. Tomo um de meio litro todos os dias! A Ana Harb que não apareça aqui no blog.
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Outro bar legal foi o tal de Alhambra (não tenho certeza do nome, mas como a Gabi insiste que é esse, eu não vou brigar por isso…). Fica na Calle Victória, não Mictória, como eu entendi da primeira vez, perto da estação Sol do metrô. É o da foto acima.
A gente fez uma supercombinação de tapas. Coisa inspirada: uma tonelada de salmão defumado, pão tostado com azeite de oliva e um queijinho esperto.
A Gabi me alerta que isso é papo de gordo, que eu devo parar de falar de comida. Ok. O lugar era legal, com um decoração meio rústica, atendimento rápido, poucos turistas e muitos fumantes.
Por sinal, o cigarro é liberado em todos lugares na Espanha. Não sou um ex-fumante chato, pelo contrário, mas às vezes não dava pra agüentar. Ficava difícil de respirar.
Dicas essenciais e algumas bobagens
Maio 21, 2008Tivemos sorte com o hotel, o tal Canivete. É tri bom e fica numa zona não muito turística. Ou seja: dá para comer bem e barato, entre os nativos. No primeiro dia, almoçamos na versão madrilenha da Adega da Beira, o Rincón de el Bierzo.
Só faltou o Argemiro!
Por 9 euros, comemos dois pratos, pão, café, sobremesa e cerveja liberada. A Gabi até filou um cigarro do garçom!
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Top 3
Até agora, estas músicas dominaram as paradas em Madri.
1- Tieta, do Luiz Caldas
2 – Andando pelado… eu e o cavalo,! da Tarcisio Meira´s Band (é aquela que tem o seguinte refrão: andando pelado, eu e o cavalo)
3 – Conga, da Gretchen
Bom gosto é tudo.
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Tradução simultânea
Decidi ajudar pessoas que, no futuro, tentem se aventurar no continente europeu. Vou colocar aqui dicas básicas de espanhol e mandarim, os idiomas mais falados na Espanha. Ó. Prestem atenção.
Nosso hotel em Madri fica pertinho da Puerta de Toledo. Em português, porta de Toledo.
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Sue Johanson
Sim, é verdade. Encontramos a Sue Johanson em Madri. Imaginei que ela estaria cercada por negros altos, fortes e espadaúdos, mas não. Estava acompanhada por outra distinta senhora, com quem deve tomar chá todas as tardes no Canadá.
Aqui está a prova:
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Por último, um recado para a Marina, minha querida irmã.
O bolinho perfeito
Maio 21, 2008O que você faria pelo bolinho de bacalhau perfeito? Eu quebrei um dente. Na verdade, tirei uma lasquinha de um incisivo ao tentar morder o tal croqueta e acertar o garfo. É imperceptível, na parte de trás, mas quebrei.
Foi ridículo.
A Gabi também ofereceu um pequeno sacrifício: um pouco de sangue do calcanhar, resultado dos primeiros quilômetros de caminhadas em Madri.
A preciosidade saiu de um Cañas y Tapas, pertinho do nosso hotel.
Olhem a cara dos bolinhos:
Se a foto não foi suficiente, um depoimento de quem provou:
Saldo da viagem: 16 croquetes consumidos até agora.
O começo
Maio 21, 2008Não vou contar todos os detalhes de tudo. Vai ficar chato pra cacete e ningúem vai agüentar ler, nem a tia Lola (obrigado pelas visitas ao blog!!!).
O primeiro dia foi meio tosco. Eu e a Gabi parecíamos duas baratas tontas, sem saber pra onde ir. Essa foto é no centro de Madri, eu acho.
Eu só lembrava do professor Paulo Paixão dizendo para “tirar o avião do corpo” e pensava em resistir até o anoitecer para dormir e entrar logo no fuso horário. Só que não anoitece nunca. Nunca é exagero, claro. Às 22h, mais ou menos, escurece. A Gabi ainda está em estado de choque por isso. Volta ao assunto diariamente. Todo dia ela olha para o céu e fica analisando o pôr-do-sol, conferindo o horário no meu relógio de pulso.
Resumindo: acordamos no meio da madrugada, ficamos umas duas horas acordados e perdemos o horário no dia seguinte.
O fracasso do blog
Maio 21, 2008Está foda de atualizar o blog. Não sobra muito tempo e as conexões de internet são sempre precárias. De qualquer forma, vou fazer um resumo bem resumido: andamos de barco, conhecemos o museu do Prado, comemos bem, bebemos bastante, não nos perdemos nem entramos em grandes roubadas. Ainda por cima encontramos a Sue Johansson, aquela véia tarada da TV, e provamos o bolinho de bacalhau perfeito. Temos fotos para provar tudo!!!
Estamos agora em Toledo, aguardando o trem para voltar a Madri.
Se der, hoje à noite eu atualizo com fotos e videos geniais.
Até!
Primeira vez
Maio 19, 2008Minha primeira vez na europa está sendo mui legal. Estamos bem cansados. O fuso fudeu com minhas idéias. Os chopes e a garrafa de vinho tb. Vou nanar e amanhã conto algo interessante. Estou apavorada com o dia que não vira noite nunca…São 21h e tá céu de 17h. Muito louco. Hasta manãna.
Escrito por Gabriel 

Escrito por Gabriel 
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