Desculpas furadas

Junho 21, 2008

Claro que, em menos de uma semana, é impossível desbravar uma cidade inteira. Não dá. Ainda mais um lugar tão especial como Barcelona. Em cada praça, em cada rua, há um detalhezinho surpreendente, uma escultura, um bar legal. Duvida? Olha só, então.

uma rua comum
outra rua comum

Mas eu e a Gabi nos esforçamos. Do kit básico “primeira vez na cidade”, só faltou o Montjüic, apesar de todas as boas referências do Ruy e da Lu.
A culpa foi daquela minha cagada no primeiro dia, quando comprei a passagem de trem para a França um dia antes do previsto. Teria dado pra ver tudo. Azar. É um bom motivo pra voltar um dia.

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Outro motivo para voltar, claro, é encher a cara de Freixenet. É bem simples. Basta ir a um supermercado, entregar três moedas e sair com uma garrafa debaixo do braço. Uma barbada.
Pena que só compramos – e tomamos – uma na viagem toda.
Outra coisa legal de Barcelona: o salmão defumado é mais barato do que o presunto. Como a minha companheira de viagem gosta pouco de salmão, todo dia tinha salmão com pão, salmão com queijo, salmão com água, salmão com kit kat ou salmão com salmão.
Se os estudos sobre o ômega 3 estiverem certos, estamos livres do Alzheimer por uns 40 anos.


Piada de brasileiro

Maio 30, 2008

A Gabi vai ficar braba comigo, eu sei. Há dois dias ela só fala disso. Acorda no meio da noite dando risada e depois pede para eu não escrever. Mas eu não agüento. Preciso contar pra alguém. Afinal, ela conseguiu desequilibrar a relação Brasil-Portugal, pelo menos em relação às piadas. Um patrimônio que demoramos séculos para construir, ela derrubou em poucos minutos.

Anteontem estávamos a caminho de Les Baux de Provence. Uma cidade bacana, provavelmente a mais bonita que vimos até agora. Não vou ficar me derretendo em elogios agora. Outra hora faço um post só para isso. Mas, realmente, a cidade é muito do caralho. E uso esse palavrão porque não há expressão melhor para descrevê-la. Mas isso não interessa.

Português malandro

O que interessa é que a cidade fica no alto de um morro. E havia um português por perto. Esse aí da foto ao lado:

Estávamos parados no nosso carro, o C1 azul e sujo, no acostamento da estrada. Deliberávamos sobre onde estacionaríamos. Afinal, havia parquímetros por todos os lados. Quanto mais alto, mais caro. De graça, só lá embaixo, o que nos obrigaria a subir centenas de metros a pé.

Enquanto isso, o portuga chegou ao meu lado abanando uma nota de 5 euros e, falando francês, começou:

- Blablablá, blablablá, parking, blablablá.

Só entendi o tal do parking. Me liguei que ele precisava de trocado para o parquímetro. Sorri e disse que não tinha moedas.

Nisso, a Gabi largou um “deixa comigo, eu tenho aqui na Betty Boop”.

A Betty Boop, pra quem não sabe, é a nossa niqueleira.

E o cara disse:

- Vocês são brasileiros? Eu sou português. Legal. É que os paquímetros daqui só aceitam moedas.

Nesse instante, a Gabi começa a sacar da Betty Boop moedas de 1 euro, 50 centavos, 20 centavos, 10 centavos, 5, centavos, 2 centavos, 1 centavinho. Entregou tudo para o português, que, feliz da vida, foi pro parquímetro e depositou as moedas na máquina. 

As nossas últimas moedas!!!!! Todas elas!!!!

E nós ficamos sem poder estacionar.

Depois a gente faz piada de português…

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Resumo da história: assim que paramos de rir, saímos atrás de um estacionamento mais barato. Quando encontramos um casal voltando para o carro, a Gabi saiu e foi pedir pra eles trocarem os 5 euros que o português tinha nos dado por moedas. Eles não tinham trocado, é claro, mas nos deram um tíquete de estacionamento válido por mais duas horas, o que quebrou nosso galho. Enquanto eu escrevo esse texto, a Gabi pede que eu exalte o feito de conseguir um tíquete de graça. Então, tá: Parabéns, Gabi! Muito bem!!!!!

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Pior é que no dia seguinte encontramos o português em outra cidade. Foi quando eu tirei a foto dele. Maior figuraça.