Bonitinha, mas ordinária

Junho 9, 2008

Madri é uma cidade bem legal, mas candidata a ser a mais sem graça que visitamos. É a minha opinião, pelo menos. A Gabi achou Marselha a pior, e entendo os argumentos dela.

Madri é uma metrópole de primeiro mundo, tem um metrô incrível, museus expressivos, bons parques, praças simpáticas, o time de futebol mais famoso do planeta, restaurantes ótimos e com refeições a preço justo, etc. Tudo legal. Só não fiquei com vontade de voltar.

É o tipo de cidade que deve ser boa para viver e trabalhar, mas não para passar férias. Sem contar que chega a ser covardia a comparação com Barcelona, a nossa parada seguinte.

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Já escrevi antes, mas o melhor mesmo foi o dia no Parque Del Retiro.

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A Gabi e eu fizemos descobertas interessantes em Madri. Como era a nossa primeira escala na Europa, tudo era novidade para a gente. Cada trecho na direção certa no metrô era saudado como uma grande vitória. Por sinal, a Gabi lembra até hoje da gravação do metrô alertando para os perigos de se descer em uma estação em curva.

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Entre as descobertas, duas me chamaram a atenção. Primeiro: a profissão de garçom é muito solitária na Europa, especialmente na Espanha. Eles não têm colegas, é sempre um garçom por turno. Não importa se são dois ou centenas de clientes. No máximo, fica alguém atrás do balcão, servindo cerveja. Foi neste tipo de lugar que eu fiz a segunda observação curiosa. Todos os garçons falam do mesmo jeito. Não importa se o cara tem a voz de taquara rachada do Jaisson Valim. Na hora de falar com o tirador de chope, o cara se transforma no José Aldair, antigo locutor do Correspondente Ipiranga, e grita com um vozeirão grave:

- Dos cañas mas!

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Depois de escrever tudo isso sobre Madri, lembrei de um episódio que pode ter influenciado a minha opinião sobre a cidade. É aquela velha história: “a primeira impressão é a que fica”. Assim que largamos as malas no hotel e saímos para dar uma caminhada, fomos para o lado errado. Ao invés de nos dirigirmos para o centro da cidade, caminhamos em direção à periferia. Quando vimos, estávamos na Sertório de Madri. Na hora da siesta, o que é mais desolador ainda. Tudo fechado, sem carros nas ruas. Achei meio estranho. Vai ver é por isso que não gostei tanto. Sei lá.

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Acho que já falei sobre o lado bom, né? Comparada com Paris, Madri é superbarata. Dá para almoçar na boa por 10 euros, com direito a bebida (água, refri, suco, cerveja ou vinho da casa). Em Paris, por exemplo, eu e a Gabi pagamos 8 euros por uma garrafa d’água em um restaurante meia-boca e 7 euros por um copo de Coca Light sem gás em outro.

Os bolinhos de bacalhau com periquito são inesquecíveis. Procura lá no começo do blog que tem até vídeo da Gabi degustando um.

Por sinal, voltarei para Porto Alegre disposto a me tornar um empresário. Quero abrir uma franquia desse tal de Tapas y Cañas ou do Starbucks. O Starbucks é um caso à parte. Está sempre lotado, mesmo quando há dois ou três no mesmo quarteirão. E o Frapuccino de Dulce de Leche é das melhores coisas que provei na viagem. Tomo um de meio litro todos os dias! A Ana Harb que não apareça aqui no blog.

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o tal alhambra, ou seja lá o nome que tiver

Outro bar legal foi o tal de Alhambra (não tenho certeza do nome, mas como a Gabi insiste que é esse, eu não vou brigar por isso…). Fica na Calle Victória, não Mictória, como eu entendi da primeira vez, perto da estação Sol do metrô. É o da foto acima.

A gente fez uma supercombinação de tapas. Coisa inspirada: uma tonelada de salmão defumado, pão tostado com azeite de oliva e um queijinho esperto.

A Gabi me alerta que isso é papo de gordo, que eu devo parar de falar de comida. Ok. O lugar era legal, com um decoração meio rústica, atendimento rápido, poucos turistas e muitos fumantes.

Por sinal, o cigarro é liberado em todos lugares na Espanha. Não sou um ex-fumante chato, pelo contrário, mas às vezes não dava pra agüentar. Ficava difícil de respirar. 


O segredo

Junho 7, 2008

Para não se perder em uma viagem, é muito simples: basta acompanhar atentamente os movimentos da Gabriela P. Seben. Se ela vira para a direita, o destino é à esquerda. E vice-versa. Não tem erro. Sou a prova viva de que funciona, em qualquer cidade, país ou continente. Sempre.

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Ganhei uma torradeira linda. Será um ano de muitas torradas lá em casa!

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Cancelei o hotel em Berlim e consegui outro aqui pertinho em Paris. Vai dar tempo de andar de montanha-russa. Sim, tô ficando velho, mas sigo abobado.


O fim do blog?

Junho 4, 2008

Não temos como atualizar o blog daqui de Paris. Está tudo bem, tudo ótimo, mas a Internet é paga e lenta. Não vale a pena. Sem contar que é tudo caro. Nos falamos em Berlim. Ou em Porto Alegre. Obrigado e um abraço a todos. Se der, a gente escreve antes. Assunto não falta. Fui!


Declaração de amor

Junho 2, 2008

Recebi hoje uma linda declaração de amor da Regina Casé Dolores Mercury de Parkinson. Entre outras coisas, ela disse que quer ser a bisavó dos meus bisnetos. Foi a coisa mais linda da viagem até agora. E o melhor: está registrado em vídeo. Em breve, colocarei a íntegra deste tocante depoimento aqui no brógui. Preparem seus lenços. Eu amo essa mulher.

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Ah, Marselha é meia boca, mas tem uns passeios muito legais para se fazer. Ontem, fomos de barco a umas ilhas espetaculares. Idéia e insistência da Gabi. Hoje, subimos ao ponto mais alto da cidade, a Notre Dame de la Garde. Por sorte, o tempo ajudou. Acho que a mulher do tempo da TV deve ter perdido o emprego hoje. Ela anunciou chuva para toda a semana e fez o maior sol da viagem até agora. Sem contar com o melhor bar que fomos até agora, o tal de O´Malley. Pelas minhas contas, foram mais de 12 canecas de meio litro em dois dias. E era isso.

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A Gabi apela. Para usar o computador, mente que quer atualizar o blog. Vamos ver o que acontece…


Piada de brasileiro

Maio 30, 2008

A Gabi vai ficar braba comigo, eu sei. Há dois dias ela só fala disso. Acorda no meio da noite dando risada e depois pede para eu não escrever. Mas eu não agüento. Preciso contar pra alguém. Afinal, ela conseguiu desequilibrar a relação Brasil-Portugal, pelo menos em relação às piadas. Um patrimônio que demoramos séculos para construir, ela derrubou em poucos minutos.

Anteontem estávamos a caminho de Les Baux de Provence. Uma cidade bacana, provavelmente a mais bonita que vimos até agora. Não vou ficar me derretendo em elogios agora. Outra hora faço um post só para isso. Mas, realmente, a cidade é muito do caralho. E uso esse palavrão porque não há expressão melhor para descrevê-la. Mas isso não interessa.

Português malandro

O que interessa é que a cidade fica no alto de um morro. E havia um português por perto. Esse aí da foto ao lado:

Estávamos parados no nosso carro, o C1 azul e sujo, no acostamento da estrada. Deliberávamos sobre onde estacionaríamos. Afinal, havia parquímetros por todos os lados. Quanto mais alto, mais caro. De graça, só lá embaixo, o que nos obrigaria a subir centenas de metros a pé.

Enquanto isso, o portuga chegou ao meu lado abanando uma nota de 5 euros e, falando francês, começou:

- Blablablá, blablablá, parking, blablablá.

Só entendi o tal do parking. Me liguei que ele precisava de trocado para o parquímetro. Sorri e disse que não tinha moedas.

Nisso, a Gabi largou um “deixa comigo, eu tenho aqui na Betty Boop”.

A Betty Boop, pra quem não sabe, é a nossa niqueleira.

E o cara disse:

- Vocês são brasileiros? Eu sou português. Legal. É que os paquímetros daqui só aceitam moedas.

Nesse instante, a Gabi começa a sacar da Betty Boop moedas de 1 euro, 50 centavos, 20 centavos, 10 centavos, 5, centavos, 2 centavos, 1 centavinho. Entregou tudo para o português, que, feliz da vida, foi pro parquímetro e depositou as moedas na máquina. 

As nossas últimas moedas!!!!! Todas elas!!!!

E nós ficamos sem poder estacionar.

Depois a gente faz piada de português…

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Resumo da história: assim que paramos de rir, saímos atrás de um estacionamento mais barato. Quando encontramos um casal voltando para o carro, a Gabi saiu e foi pedir pra eles trocarem os 5 euros que o português tinha nos dado por moedas. Eles não tinham trocado, é claro, mas nos deram um tíquete de estacionamento válido por mais duas horas, o que quebrou nosso galho. Enquanto eu escrevo esse texto, a Gabi pede que eu exalte o feito de conseguir um tíquete de graça. Então, tá: Parabéns, Gabi! Muito bem!!!!!

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Pior é que no dia seguinte encontramos o português em outra cidade. Foi quando eu tirei a foto dele. Maior figuraça.


Um minuto da sua atenção, por gentileza

Maio 1, 2008

Hoje à tarde, enquanto tomávamos café com o Diego e a Gabi no Coletânea, fiquei com a sensação de que eles não entenderam a sacada genial da minha Gabi ao escolher o nome do blog.

Sei lá, posso estar enganado, mas foi essa impressão que tive. Portanto, Diego e Gabi, se vocês estiverem lendo isso, não se sintam menosprezados ou coisa parecida.

O nome é um joguinho de palavras com os países que vamos visitar. Tapas (os petiscos espanhóis) e queijos (uma das especialidades da França).

Brilhante, não?